Na sociedade atual, vive-se uma cultura do sucesso – tende-se a enfatizar cada vez mais o êxito desde muito cedo. Muitas vezes, inclusive, há um desejo e uma pressão para que as crianças se manifestem como “precoces”, evidenciando elevadas realizações e “saltem etapas”. Neste contexto o brincar tende a ser algo subvalorizado como uma distração, uma pequena insignificância ou até uma perda de tempo. Contudo a atividade lúdica é fundamental ao desenvolvimento e desempenha uma multiplicidade de funções essenciais. Por exemplo, através do brincar e do jogo simbólico a criança expressa e integras as suas emoções e conflitos, sendo uma atividade fundamental ao desenvolvimento emocional e à saúde mental. É também a través do brincar que a criança desenvolve a imaginação, a criatividade e organiza os eventos no tempo. Brincando e fantasiando constroem-se cenários diversos, desenvolve-se a capacidade de antecipar e planear e por conseguinte, o pensamento e o raciocínio.
O brincar continua aliás a ser importante pela vida fora – atividades lúdicas como dançar ou entregar-se a uma atividade criativa por puro gosto são exemplos de coisas necessárias a uma vida saudável e com sentido. Brincar é algo muito sério! Tão sério como a vida.
Uma criança que não brinca é um adulto que não pensa, reproduz esquemas e guiões mentais previamente definidos, mas não cria novos pensamentos. Só há pensamento, criação e vida onde há sonho, diversão e jogo. Como dizia Einstein – “A criatividade é a inteligência a divertir-se. Brinque pela sua saúde!
Daniel Figueiredo, Psicólogo, Psicoterapeuta, membro da SPPC
